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"Pela boca morre o peixe" - complemento ao podcast GMTM-4 Hineni

A maior parte da minha interação linguística com Shira, a nossa guia na excursão recente em Israel (ver podcast GMTM-4-P Hineni), estava relacionada com a pronúncia das palavras em placas sinaléticas. Como o hebraico é normalmente escrito sem vogais, é um verdadeiro desafio mesmo para principiantes que sabem ler as consoantes, mas que têm que adivinhar como as palavras são realmente pronunciadas. Se lhe entregasse uma folha com as duas letras "bt" sem vogais e perguntasse como pronunciar a palavra, como responderia? Bata, bate, bati, bota, botou, ou abate, e assim por diante? Se as letras aparecerem numa frase, você, falador de português, logo saberia pelo contexto qual significado é o pretendido. Ensinei inglês como língua estrangeira durante muitos anos. Tenha dó dos pobres alunos. Embora o inglês inclua as vogais e os ditongos na forma impressa, a combinação "ough-" é pronunciada em inglês em diversas maneiras. Devido à minha curiosidade linguística, chateei a Shira todos os dias para explicar algo sobre a sua língua.

E como estou a falar sobre a forma como as palavras são pronunciadas, permita-me uma outra breve viagem linguística aqui. As palavras que usamos quando falamos e escrevemos e até a forma como as pronunciamos nos trai e revelam quem somos. Pedro descobriu isso enquanto estava ao lado da fogueira e negou saber Jesus, que estava naquele momento a ser julgado pelos líderes judeus. Tendo negado a Jesus três vezes, foi desafiado por alguém na terceira vez, que apareceu e disse: "Verdadeiramente também tu és deles, pois a tua fala te denuncia.” Mateus 26.73


Enquanto eu servia como agente consular dos EUA na Madeira (2001-2013), tive a oportunidade de ir a Nápoles, Itália, para reuniões no Quartel-General do Comando da 6ª Frota Naval dos EUA. O meu colega, a agente consular de Veneza, ofereceu-se para nos dar uma visita guiada de Nápoles e parámos para comer num café. Ela falou com o empregado em italiano, e as primeiras palavras dele foram: "És de Veneza, não és?" O meu conhecimento limitado de italiano não foi suficiente para perceber a diferença entre o sotaque nortenha de Veneza e o sotaque sulista de Nápoles, mas para falantes de italiano, não havia dúvidas sobre onde cada um vivia.


O sotaque nordestino da Galileia de Pedro denunciou-o. No AT, Juízes 12.1-7, os efraimitas e gileaditas foram para a guerra, e para escapar ao massacre, os efraimitas em fuga tentaram atravessar o rio Jordão, alegando que eram gileaditas. "Dize, pois, 'Chibolete'", disseram-lhes. Mas a sua fala traiu-os, porque os efraimitas invariavelmente diziam "Sibolete", já que o seu dialeto não tinha o som "ch". Essa diferença "pequena" significava uma morte imediata para todos os que não podiam dizer "Chibolete".

Bastam poucas palavras para revelar de que lado do Oceano Atlântico vem um falante de inglês, ou se vem da Austrália. O mesmo acontece com os falantes de português que vêm do Brasil ou de Portugal. Apesar de já fazer mais de 40 anos desde que saímos do Brasil, ainda há vestígios suficientes da entoação e pronúncia brasileira no meu discurso, que não é incomum alguém me dizer: "O senhor esteve no Brasil, não é?"

Quando a nossa guia local, Shira, relatou a história de como os judeus regressaram a Israel no século passado, ela repetidamente usou expressões como, "eles voltaram à terra", "ver como é a terra hoje", apontando para quintas produtivas onde antes era deserto estéril. Ela não estava a usar o termo "terra" no sentido mais comum. Ela não estava a falar do solo, nem da terra debaixo dos nossos pés. De facto, a palavra hebraica "eretz" é usada para "a terra" ... Genesis 1.1, "No início, Deus criou os céus e a 'eretz'", Para mim, Shira denunciou a sua identidade judaica quando dizia "a terra", a tradução ao pé da letra da palavra hebraica "haaretz". Para os filhos de Israel, essa palavra tornou-se sinónimo da terra de Canaã que Deus lhes prometeu. A sua esperança, o seu sonho era habitar em "a terra". Se essa palavra lhe é familiar de alguma forma, pode ser porque é o nome do jornal mais antigo de Israel, "Haaretz"- A Terra.



As palavras de Shira, "a terra", revelaram o facto de ela ser judia. As nossas palavras revelam muito sobre nós aos outros. Será que outros reconhecem que estivemos com Jesus por causa da linguagem que usamos, ou da conversa em que não nos envolvemos?


Há um provérbio em português que diz: "Pela boca morre o peixe." O provérbio bíblico diz assim: "Na multidão de palavras não falta pecado, mas o que modera os seus lábios é sábio." Provérbios 10.19 No Novo Testamento, Tiago descreve o poder destrutivo da língua: "A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso na natureza, e é inflamada pelo inferno." Tiago 3.6


Em Mateus 15.18, Jesus disse: "O que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem." Jesus avisou-nos: "Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia de juízo. Porque pelas tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado." Mateus 12.36-37


São palavras graves, e seria bom que assim as consideremos. A oração do Salmista em Salmo 19.14 parece muito apropriada aqui: "Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu."

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