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GMTM-12-P - A Chamada de Deus: Cravos, Comunistas, e a CIA




A Bíblia está cheia de referências à intervenção de Deus na vida de indivíduos e impérios, mas será que reconhecemos Sua intervenção quando ela nos afeta diretamente em nossos dias? Em 25 de abril de 1974, o regime fascista fundado por Salazar em 1926 que durou 48 anos em Portugal foi derrubado em uma questão de horas. Sem um único tiro disparado, este golpe entrou para a história como "a Revolução dos Cravos". Dois anos mais tarde, em 1976, chegámos à Madeira, e aponto aqui algumas das coisas a que assistimos à medida que nos adaptávamos a um novo país. Descobrimos que os madeirenses também ainda estavam a adaptar-se àquele que era, afinal, um novo país para eles



Os seguidores deste podcast/blog notarão que estou dando um salto gigante em nossa história de vida no campo missionário. Este episódio pula os nossos três anos no Brasil e mais 18 meses nos EUA, o período entre março de 1972 e a nossa chegada à Madeira em dezembro de 1976. Voltarei a narrar a história daquele período importante no próximo episódio, se Deus quiser. Então porquê este salto repentino? É porque ontem foi 25 de abril de 2024 e, para mim, teria sido um dia muito parecido com qualquer outro, como tenho certeza que foi para todos os outros aqui nos EUA, mas recebi um email com um artigo da revista britânica History Today, publicado para a assinalar os 50 anos da Revolução dos Cravos, em Portugal, em 25 de abril de 1974. A revista pediu a três professores e a um jornalista os seus comentários sobre a revolução. [Artigo em inglês.]


Ao ler o artigo, percebi como aquele dia histórico estava intimamente entrelaçado na história do nosso trabalho missionário na Ilha da Madeira entre 1976 e 2016. Mais detalhes surgirão oportunamente neste blog que acompanha nosso trabalho cronologicamente, mas quero aproveitar esta oportunidade para dizer algo sobre como esse evento afetou profundamente nossas vidas pessoais, mesmo estando no Brasil na época, trabalhando na igreja de Santa Cruz do Rio Pardo, SP. Nosso colega Steve Montgomery teve de deixar o campo missionário por mais de dois anos depois de sofrer um acidente de trânsito em dezembro de 1973.

A notícia da revolução mereceu grandes manchetes na imprensa brasileira, naturalmente, e lembro-me de ter lido reportagens sobre a revolução no diário, O Estado de São Paulo. O regime do Estado Novo foi instituído em Portugal em 1926 e liderado por Antônio de Oliveira Salazar até 1968, quando, por motivos de doença, ele teve de ser substituído por Marcelo Caetano, que se manteve no poder até a queda do regime, em 1974. O regime de Salazar inspirou-se nos ideais fascistas italianos, embora ele tenha mantido a neutralidade de Portugal na Segunda Guerra Mundial. Salazar era resolutamente católico e anticomunista e o seu regime era temido pela sua polícia secreta, a PIDE, a versão portuguesa do STASI da Alemanha Oriental ou do KGB da URSS. Esta polícia secreta estava ativa contra os críticos do governo, assediando evangélicos e protestantes que se opunham aos erros da Igreja Católica Romana, e encarcerando ou mandando ao exílio políticos de esquerda que defendiam ideais socialistas/comunistas.

 

Então veio o 25 de abril de 1974. Em apenas 18 horas, menos de um dia, o regime de 48 anos do Estado Novo tombou sem que um tiro fosse disparado. Marcelo Caetano, que sucedera a Salazar, foi simplesmente enviado para o Brasil, no exílio. A população, respirando o ar da liberdade pela primeira vez, comemorou colocando cravos nos canos de fuzis e tanques, enquanto a Revolução dos Cravos mudava a nação da noite para o dia.

Duas das muitas fotos publicadas nas notícias da Revolução



Nossa chamada para a Madeira começou com uma conversa em casa com um ex-secretário do Papa Pio XII

Estávamos em fevereiro de 1975 quando fomos diretamente afetados pela revolução do 25 de abril. Tínhamos convidado o Pastor António Gonçalves Pires para pregar uma série de conferências em nossa igreja em Santa Cruz do Rio Pardo, no interior do estado de São Paulo. O Pastor Pires era sacerdote desde 1926, desempenhando diversas funções na Igreja Católica no norte de Portugal, e acabou por ser chamado para trabalhar como secretário do Papa Pio XII no Vaticano. Durante a Segunda Guerra Mundial, das muralhas do Vaticano ele assistiu o bombardeamento de Roma pelas Forças Aliadas. Foi depois da guerra que sua longa busca pela certeza da salvação foi respondida ao ler a Bíblia e aceitar Jesus como seu Salvador. Ele reconheceu que a Igreja de Roma nunca poderia cumprir as suas promessas de salvar a sua alma. Ele pediu licença ao Vaticano para regressar a Portugal, mas quando o arcebispo de Lisboa tentou obrigá-lo a regressar às suas funções em Roma, ele recusou, dizendo que nunca mais poderia obedecer ao Papa, pois já não era católico, mas, sim, um crente em Jesus Cristo. Trabalhando em conjunto, a Igreja e o regime acusaram-no de ser comunista, uma vez que já não era católico, e ele passou uma semana na prisão em isolamento, antes de ser libertado para ir para casa. Lá um passaporte estava á sua espera, e ele foi "autorizado" a fugir para Espanha e de lá foi para o exílio no Brasil. Lá, em São Paulo, um dia ele entrou em uma Igreja Batista e ouviu a Bíblia pregada do jeito que ele próprio entendia quando lia a Bíblia. Tornou-se pastor batista em São Paulo, e agora, em fevereiro de 1975, estava pregando uma série de conferências em nossa igreja.


"Se eu fosse mais novo..."

Sentados em volta da mesa em casa e jantando numa das noites depois do culto, o irmão Pires referiu que, com a queda da ditadura em Portugal, 10 meses antes, ele deixou de ser uma "persona non-grata". Algumas figuras do movimento revolucionário tinham-lhe pedido para regressar a Portugal. “Se eu fosse mais novo, eu voltaria a Portugal para pregar o evangelho ao meu povo,” disse ele, mas ele estava na casa dos 70 anos e a saúde da sua mulher não era boa. Deus usou as palavras do Pr. Pires para colocar o pensamento em minha mente e coração: "Ele não pode ir, mas eu falo português. E se nós fôssemos para Portugal pregar o evangelho?" Os detalhes do que aconteceu no dia seguinte e como a Madeira entrou em cena e como realmente chegámos à ilha quase 2 anos depois fazem parte da história que contarei oportunamente.


Mas foi esse contato que estabeleceu a ligação entre a Revolução dos Cravos e a obra que Deus fez através de nós na ilha durante 40 anos. Quando chegámos à Madeira, 2 anos depois da Revolução, as marcas da revolução ainda eram evidentes, pois os madeirenses estavam a adaptar-se a uma nova realidade.


Boas-vindas em tons de vermelho e amarelo

Aterrámos na Madeira por volta das 20h00 do dia 3 de dezembro de 1976, numa sexta-feira quando já era noite. Nossa primeira visão da ilha foram as luzes das casas que pontilhavam nas encostas das montanhas escuras. Isso foi antes dos dias de internet e nem sabíamos onde passaríamos a noite. Eu perguntei a um senhor na estação de correios no aeroporto se ele conhecia um lugar que seria limpo, mas barato, como eu estava certo de que não seríamos capazes de pagar um hotel. "Não tem de ser no Funchal", disse eu, sabendo que Funchal ficava a 40 minutos do aeroporto. Ele chamou uma pensão na vila vizinha de Santa Cruz, e a Pensão Matos tornou-se a nossa residência durante 6 semanas, até conseguirmos encontrar uma casa. (Mais dessa história futuramente.) Quando nos levantamos na manhã seguinte, olhamos pela janela e vimos as ondas do mar no seu constante vai-e-vem rolando as pedras da praia, um som a que ficámos muito acostumados a ouvir nos próximos 40 anos. Da nossa janela, uma parte da praia estava escondida atrás do  matadouro local, que ficava do outro lado da rua. Olhando para o lado oposto da pensão, vimos um pequeno jardim com relva, onde havia uma pequena barraca. A minha impressão é que era feita de chapas metálicas, pintada de vermelho brilhante e coberta com slogans pintados de amarelo brilhante. A característica mais marcante foi a sigla PCPT-MRPP em letras grandes que acompanhava um logotipo de foice e martelo.



Fomos informados que a barraca tinha sido usada nas primeiras eleições autónomas da ilha após a revolução do 25 de abril de 1974. Os governos provisórios em Lisboa conseguiram finalmente instalar um parlamento nacional com membros livremente eleitos de entre candidatos que representavam partidos que iam entre monárquicos (o último monarca foi deposto em 1910, quando uma forma republicana de governo foi constitucionalmente instituída) e uma variedade de partidos de extrema-esquerda com uma inclinação comunista. Pelo meio estavam partidos como os sociais-democratas e os socialistas. Muitos dos líderes destes partidos tinham regressado do exílio para se candidatarem.


Um dos principais objetivos do novo governo nacional era a criação de sistemas governamentais autónomos regionais para a Ilha da Madeira e os Açores. Durante 500 anos, estes arquipélagos foram pouco mais do que distritos controlados diretamente pelo governo central em Lisboa. Ouvimos histórias de pessoas que tiveram de viajar de barco para Lisboa apenas para resolver questões burocráticas como licenças de construção e alvarás. As questões que podiam ser tratadas localmente eram muito limitadas. Ao abrigo da nova Constituição, os dois archipelagos foram autorizados a ter cada um a sua própria Assembleia Regional e Presidente, e as primeiras eleições regionais realizaram-se em outubro de 1976, seis semanas antes da nossa chegada.


Então, o que estava a fazer esta barraca do PCPT-MRPP aí no jardim desta pensão? Ficámos a saber que o MRPP foi o Partido Comunista Maoísta de Portugal, fundado por Arnaldo Matos. A sua família era proprietária da Pensão Matos onde estávamos hospedados, e era gerida pelo seu pai e pela sua irmã! Que ironia! Aqui estávamos nós, acabados de sair fresquinhos dos EUA, o bastião do capitalismo mundial, alojados num estabelecimento detido e operado pela família do fundador do partido talvez mais extrema-esquerda do país.



Um poster que antecede a Revolução, quando Arnaldo foi presa pelo regime.



Este poster talvez seja das primeiras eleições autónomas regionais, realizadas poucas semanas antes da nossa chegada.







Apresso-me a acrescentar aqui, que nunca conhecemos Arnaldo Matos pessoalmente, mas os seus pais e irmãs eram nossos vizinhos, mesmo depois de nos mudarmos para a nossa própria casa, e não podiam ser mais simpáticos. Não sei nada sobre a relacionamente entre Arnaldo e sua família; seu nome nunca foi mencionado por nenhum membro da família. A mulher de Arnaldo era filha de José Saramago, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1998. Uma das suas obras famosas foi O Evangelho segundo Jesus Cristo, mas o facto de ele ser ateu dá-nos uma ideia de qual seria a sua versão do Evangelho. A Igreja Católica Romana até proibiu o livro. Nada surpreendente aí. A filha do Saramago, a mulher de Arnaldo Matos, envolveu-se ativamente na política regional, como um dos membros da Assembleia Regional, que tinha uma pequena minoria de representantes de partidos de esquerda.


Agentes secretos da CIA...tão secreto, nem nós sabíamos

Anos mais tarde, soubemos que havia boatos entre a população local de que éramos agentes da CIA, enviados para vigiar a "evolução da revolução", por assim dizer. Cerca de quarenta anos após a revolução, foram publicados artigos relatando as manobras políticas nos primeiros anos da revolução, quando os EUA temiam que grupos de esquerda tomassem o poder em Portugal, e em novembro de 1974, houve, de facto, uma tentativa fracassada da esquerda de fazer exatamente isso. Dado o que estava em jogo politicamente com a direção que Portugal, um membro de OTAN, tomaria, sem dúvida, a CIA tinha agentes espalhados no país. Mas nós, agentes da CIA?

Pelo amor de Deus (literalmente), tínhamos as mãos cheias com a nossa própria crise internacional pessoal!


Isso foi antes mesmo da nossa interação de fevereiro de 1975 com o Pastor Pires, que resultou na nossa decisão de mudar para a Madeira. Quando contei à igreja de Santa Cruz do Rio Pardo que o Senhor nos tinha chamado à Madeira, uma das primeiras reações dos irmãos foi: "E se os comunistas tomarem conta de Portugal?" Ao que eu simplesmente respondi: "Bem, os comunistas também precisam do evangelho. A minha chamada não foi condicionada sobre qual partido estivesse no poder."


Havia outros sinais de que a sociedade insular estava em um estado de fluxo. A liberdade de expressão política, reprimida durante décadas, trouxe a uma inundação de propaganda política de todos os lados. As ruas e praças estavam repletas de mesas cheias de panfletos, brochuras, folhetos e literatura variada do Partido Comunista de Portugal, anteriormente proibidos. Vários membros da Orquestra Clássica da Madeira estudaram música em conservatórios na URSS durante este tempo, como descobri mais tarde na tradução dos currículos dos membros da orquestra. Navios de cruzeiro com a foice e o martelo na chaminé eram visitantes frequentes no porto do Funchal naqueles primeiros anos. De facto, a Rússia estava a fazer um esforço intenso para evangelizar Portugal e a Madeira.

Liberdade ou libertinagem?

Mas lembre-se que o regime que caiu não era apenas de direita, antissocialista e anticomunista. O regime era também firmemente católico e, na prática, se não na lei, a Igreja Católica Romana era a igreja do estado. Isso também significou que o regime enfatizou a Família e tomou uma posição rigorosa contra a pornografia. Claro que, quando o regime caiu, também caiu a proibição contra pornografia. Resultado: mesmo ao lado das mesas de literatura comunista estavam mesas nas calçadas da cidade cheias de todo o tipo de pornografia. As casas de cinema agora podiam anunciar abertamente a exibição de filmes XXX. Tive a sensação de que a sociedade, como um todo, não estava bem preparada para lidar com a liberdade irrestrita. As pessoas agora tiveram de ajuizar por si mesmas e não sabiam bem como responder.


Quantos professores são precisos para uma turma da 1ª classe?

``A administração civil evidenciou os efeitos dessa perturbação. Raquel e Ricardo entraram na primeira classe na escola local assim que chegamos. Eles estiveram na classe por algumas semanas antes das férias de Natal. Quando voltaram às aulas em janeiro, tinham outro professor. Quando voltaram do intervalo da Páscoa, voltou a haver um novo professor. Vou ter de verificar as minhas notas, mas parece-me que houve ainda mais uma mudança de professor antes do final do ano letivo, em junho.

Dezembro 1976: Rick, Jeff, e Rachel em Santa Cruz, Madeira.

Atrás deles, no outro lado da ribeira, o matadouro, e o prédio castanho logo depois é a Pensão Matos. O segundo prédio atrás da pensão é o tribunal, onde a gente podia tratar de qualquer tipo de assunto. A não ser que precisasse de um juiz, claro.


Desordem no tribunal...

Quando encontramos a casa que o Senhor nos levou a comprar, houve um problema na papelada. Vou deixar a explicação dos detalhes extremamente complicados dessa confusão para um relato posterior, mas o que importa aqui é que eu estava pronto para pagar a casa. Porém, primeiramente alguns papéis tiveram que ser assinados pelo juiz daquele município. O problema era que não havia juiz. O sistema judicial foi naturalmente abalado em resultado da revolução, e o tribunal de Santa Cruz ficou sem juiz. Tivemos de esperar mais de um ano até conseguirmos a posse legal da casa em que vivíamos, e isso só aconteceu porque um juiz foi destacado provisoriamente do Funchal durante 15 dias, para despachar parte dos processos acumulados, e os nossos documentos estavam nesse lote.


... e na sociedade em geral

Todo esse problema com a casa se deveu a uma combinação de ideologias políticas e o caos social. A rejeição das políticas fascistas de direita do antigo regime resultou numa tendência decididamente socialista nos novos governos. As rendas foram congeladas; os senhorios não podiam aumentar as rendas nem despejar inquilinos. Basicamente, os inquilinos podiam viver o resto da vida com uma renda fixa e, à medida que a inflação disparava, as rendas ficaram cada vez mais baratas. Os senhorios não tinham qualquer incentivo para fazer reparações nas suas propriedades. Casas ficavam vazias porque os proprietários não se arriscavam a arrendá-las naquelas condições. Viemos preparados para alugar, mas tivemos que comprar uma casa, apenas para ficar na ilha. Essa também é uma história para mais tarde


Tudo isso foi exacerbado pelo grande número de retornados. Em grande parte, a Revolução dos Cravos foi o resultado do colapso do domínio de Portugal sobre as suas colónias africanas, em particular Moçambique, Angola e Cabo Verde. As guerras de independência resultaram no êxodo em massa de brancos, portugueses que tinham emigrado para África por razões económicas. Algumas famílias tinham estado em África havia gerações e consideravam-se angolanas, por exemplo, mas a cor da sua pele não coincidia com a nova realidade política e social. Portugal, como um todo, e a Madeira, claro, foram inundados de refugiados das antigas colónias, que voltaram apenas com a roupa que traziam no corpo depois de perderem tudo o que tinham acumulado com seu trabalho, por vezes, durante gerações. Isso pôs ainda mais pressão sobre a crise habitacional que já era terrível, e era comum ver casas vazias ocupadas por famílias de refugiados sem-teto que invadiram a propriedade alheia. Na ilha, havia famílias que viviam em cavernas cavadas nas encostas formadas de lava macia. Foram precisos vários anos antes que o governo, regional e nacional, conseguisse resolver estas questões e fizesse de Portugal e da Madeira os êxitos que são hoje. Chegámos no rescaldo da Revolução dos Cravos, e estas são apenas algumas das coisas que vimos e experimentámos.


Velhas feridas demoram a sarar

Os 500 anos de domínio "colonial" da Madeira deixaram a sua marca nos ilhéus. Em mais do que uma ocasião, ouvimos comentários de madeirenses a chamar os "continentais” de "porcos", por exemplo. Em conversas com agentes da Guarda Fiscal, os agentes que tinham sido transferidos do continente para a Madeira queixaram-se da forma como foram tratados por alguns madeirenses. Mesmo em igrejas de outras denominações que enviaram pastores do continente para liderar seu trabalho na ilha, havia sinais de atrito. Um pastor transferido do continente para a ilha disse-me que a única forma de pastorear madeirenses era "com uma vara de ferro". Não é de admirar que possa ter havido sinais de ressentimento entre os crentes locais. Mas lembre-se, estes são instantâneos do que vimos no final dos anos 70 e no início dos anos 80. Vimos a Madeira crescer e amadurecer. As mudanças estão por toda a parte. Foram todas positivas? No geral, sim, mas obviamente, podemos sempre apontar para áreas onde gostaríamos que as coisas fossem como eram "naquela época". A nostalgia dos "bons velhos tempos" existe em todas as sociedades, e vejo-a expressa em posts no Facebook aqui nos EUA todas as semanas. Mas, francamente,  quão "bons" eram os "bons velhos tempos"?


Por todas estas razões, talvez consigam perceber porque é que ontem, no dia 25 de abril de 2024, fui inundado por esta enxurrada de recordações pessoais no 50º aniversário da Revolução dos Cravos. Os líderes da revolta 50 anos atrás não faziam ideia do seu papel na formação de uma Igreja Batista na Madeira. Sim, Deus ainda intervém nos assuntos do mundo para realizar Sua obra e demonstrar Sua glória. Seria bom lembrarmos isso ao assistir ao desenvolvimento dos acontecimentos entre nações no palco internacional dos nossos dias. A soberania de Deus não está afetada pelos conflitos dos homens.


Cheguei à conclusão de que, como americanos, estávamos provavelmente em melhor posição para sermos aceites pela população local da Madeira do que se tivéssemos vindo de Portugal continental. Independentemente dos boatos de sermos agentes secretos da CIA.

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